sábado, 6 de fevereiro de 2010

Franciscântico calouro



     Ser calouro:
é ter na mente
éter na mente
ternamente
eternamente
                                                  Arcadas, fevereiro, CLXXVII



Ao ser-lhe outorgado o sagrado direito
De adentrar os umbrais da hiperbólica Academia
Por certo baixará os olhos
Diante da magnificência dessas Arcadas
E em devaneio, procurará imaginar as pegadas
Dos monstros sagrados, românticos ou não, 
Seus nomes inscritos nas majestáticas colunas
E, deslumbrado exclamará: Aqui está a História !

No depois, perambulando entre o Pátio e o Porão
Entre vitórias e descobertas vívidas e vividas,
Em meio à duas mil e trezentas tendências e mentes franciscanas
Numa incrível e indescritível turbulência ímpar
Buscará por onde se permeia o cenário dessa tal História
Ela, aos poucos se revelará vazia, cenário apenas
Chegando a casa, olhar-se-á ao espelho
Ali se deparará com a imagem-resposta
que a Academia nos revela a cada um:
Eis a História ! Eis o Presente !
E ela me espera ávida, cenário apenas,
A preenchê-la com a minha parte, a minha arte
O seu futuro, a minha obra.
Emoldurada em Amizade e Alegria.

O belo Tudo é o Nada feito
Há por fazer, continuar
Por esse do Espelho

Aos que apenas buscam assento
Para, inertes, assisti-la passar
Restará o desconforto e a decepção
De nada assistir, de nada ver, nada criar.
Apenas acreditando que assim seja.
Pensarão, em suas cabecinhas
Ser então a Sanfran um túmulo com paredes carcomidas
Revivendo anacrônica um passado morto, num presente amorfo.
Para eles, estória apenas. A Academia, sua  medíocre “facul”.
Isso, a imagem que o espelho lhes revela.
O presente amargo, o XI um número. Romano, em esnobismo estéril.
O futuro, um estágio apenas.

As Arcadas são sempre as mesmas,
O espelho é sempre o mesmo
O Largo não é estreito

Ser ator ou ser platéia
Você, a diferença
Na História que reverencia.  

Roy Babbosa                                                                            
Arcadas, XI de fevereiro, CLXXXIII

quarta-feira, 11 de novembro de 2009

Pernas, prá que te quero?


(Muita espécie me causam
as suas roupas , ó, prima!
São muito altas embaixo
São muito baixas em cima)



A Uniboa agora também tem peruada!

Eba!

Selando a sorte de arruda

Quiseram botar a coisa prá fora!

Não o dito, mas a cuja.

Geisuiss!!

Agora uma Spray-boy ou mesmo Pig-brother

Fará maior sua vista poupança

Oculta num fio dental


A sua facul mostrada arcada
Abunda por todo o mundo

Riqueza da Nação!

Eu curto o vestido, a moça, a massa e o carnaval

As pernas desnudas serão mesmo deixadas de lado

Ao cabo.


Ellis Brown Sharon
XI/XI, 2009


segunda-feira, 21 de setembro de 2009

Que pena !

Sequestro, estupro e morte ?
Alegou crime famélico
Pois roubou sim
Mas roubou para comer.

Tomado por intensa emoção
De ver pública sua viril carência
Agiu em nome da honra:
O homícidio, sua defesa.

Dado o rigor da Justiça
Após considerado e atenuado
O réu foi condenado:
Para pagar suposto mal
Doaria um quilo de sal.


Kelley Kenada
Advogado e iconoclasta

domingo, 6 de setembro de 2009

Pilhéria (amor a pilha)

Sou viajado

E amante agora sem par

A minha amada se foi

Vitimada pela overdose

Não por drogas banais, (pensariam)

Mas acometida em frente,

verso e prosa

Por infindáveis orgasmos reais

O que me seria um troféu

É fonte de muita tristeza

Por não ter sido eu

A dar-lhe a última, adeus.

Voltando da longa viagem

Achei-a desnuda e deitada

Ao vibrador aferrada

Morta e feliz: acoitada.

Sua vida, seu prazer

Um enredo em fricção

Eu, restou-me ter

Amor na palma da mão.


O'Cornor

Especialista em softwhore

domingo, 23 de agosto de 2009

Lullaby

Um novo e redentor amor
A oferenda do que te apetecia
Trôpego e com erradas palavras
Envolveste-me o espírito.

Sem ter na mão o mínimo
Prometeste-me o máximo.

Na noite que nos envolvia
Elegi a ti, ser minha estrela
E me fiz tua companheira.

Quando então te apossastes do meu ser
Teu terno amor me violentou
De um mar de rosas
Buscastes espinhos a me coroar.

Passados desencantos se amenizaram
Pois, teu desfilar de erros
Superastes a todos.
O prometido novo foi igual. Pior.
De tuas mãos estendestes
A fraude que me sufocou.


Em notas esparsas
Quisestes comprar os oponentes
Do que foi outrora amada idéia
Amá-la ? Só a ela, cheia.

Serias mil,
Foi-me zero.

Pati Faria
Poetisa ativista desativada

terça-feira, 11 de agosto de 2009

Franciscântico

apenas uma paródia franciscana

(Águas de Março - Tom Jobim)

É verso, é trova, é Fagundes Varella
É Semana de Artes, é um pouco de tudo
É o Calouro, é a Lei, o Direito
É o Pátio, é o Porão, é o Largo, é o Hall
É o futuro agora, é o passado amanhã
É o peru, Peruada, é o MMDC
É a Revolução, é Constituição
É Dom Pedro I, é o Oswald de Andrade
É o dando Pindura, é um fim-de-carreira
É o beck, é o FICA, é toda quinta-feira
É a Filosofia, é conversa fiada
É a História inteira, não me lembro de nada
É o FEMA, é a Récita, é o cochicho na escada
É a taça na mão, Castro Alves, Poesia
É uma grande Amizade, uma grande Alegria
É a Loucademia, é Primeira, é um novo partido
É os Jogos Jurídicos, é o fim da picada
É uma mente brilhante, é um pouco esquisito
É um dom, é um prêmio, é uma rixa, é um maluco
É um deus, é o Tumulo, Batizado na Sé
É a luz do Amanhã, Carruagem de Fogo
É um bigode, é um dia, é um corpo estirado
É um ano inteiro, é sombras das Arcadas
É um caso contrário, é um eu sou mais eu
É São Paulo, é Brasil, é o mundo num grão
É o “XI de Agôsto”, Álvares de Azevedo,
É isso a São Francisco, essa é a Sanfran
É o pulso da vida tomando o seu coração.

Onzaga
um franciscano fundamentalista

quinta-feira, 6 de agosto de 2009

Duras penas

Seqüestro, estupro e morte ?
Alegou crime famélico
Pois roubou para comer.

Tomado por intensa emoção
De ver pública sua viril carência
Agiu em nome da honra:
O homícidio, sua defesa.

Dado o rigor da Justiça
Após considerado e atenuado
O réu foi condenado:
Para pagar o causado mal
Doaria um quilo de sal.

Kelley Kenada
Advogado e iconoclasta

XI de agosto, CLXXXII